quinta-feira, 19 de março de 2026

Lançamento - Ilha de ossos

 Ilha de ossos é o meu décimo primeiro livro. Um conjunto de 32 poemas inéditos. 




Apresentação

A poesia habita o limite da palavra, portanto é ofício do poeta se equilibrar sobre a linha do indizível. Em Ilha de ossos, Clóvis Da Rolt demonstra, uma vez mais, sua capacidade para essa experiência limítrofe exigida pelo fazer poético. Neste volume, o autor recupera a dicção presente em livros anteriores, sobretudo A orientação das serpentes (2016) e Um arpão entre duas bocas (2018), e imprime novo fôlego à linguagem que caracteriza os melhores momentos de seu percurso autoral.

Nos poemas de Ilha de ossos, Clóvis investe novamente, e com êxito, no poder da metáfora e da sugestão, confiando não apenas na força evocativa da palavra, mas também na autonomia do leitor para a construção de sentidos. Não há que buscar, aqui, uma poética cristalina, afirmativa ou denotativa, que desvele de imediato os seus significados aos olhos apressados destes nossos tempos. Pelo contrário, seus textos operam no âmbito da alusão, da evocação e da simbolização, exigindo uma leitura atenta à poesia dos poemas, à construção de imagens e à invenção metafórica. Esse esforço de leitura é recompensado por um eu-poético desejoso de “instalar nas nuvens carrosséis felinos” e de inclinar-se “à margem do desabitado”, levando o leitor consigo rumo ao prazer do texto.

Dividida em quatro partes, separadas por imagens e epígrafes que revelam a filiação artística do autor, a obra apresenta em seu horizonte dialógico nomes como Giuseppe Ungaretti, Mihai Eminescu, Wisława Szymborska e Hilda Hilst. É possível especular como, a partir da interlocução com essa linhagem de poetas, Clóvis instila no seu próprio eu-poético certo sentido de revolta e inconformidade com o mundo. Afinal, para ele, “tudo parece devastado” e “é diária a escavação do medo” nesta vida em que “há um despertador bélico / balbuciando a métrica de cada dia”. Mas há, também, como sugere outro poema, frestas de esperança, embora se trate de uma crença desconfiada e esquiva na existência humana: “coleção de renúncias é a vida, / ofício de caminhar na esperança de / que a próxima queda encontre uma rede”.

De fato, essa desconfiança da humanidade e seus sorrisos postiços parece ser uma característica da voz poética presente em Ilha de ossos, em alguma medida cifrada já no título. Há nesta obra de Clóvis uma postura avessa à racionalidade cartesiana que confere aos seres humanos uma ilusão de progresso, domínio e sabedoria que a todo instante esbarra no incompreensível, conforme se observa no belíssimo “Instante místico”:

Alheia à pretensa superioridade

da analítica humana

– oficina de minúcias que

divide nuvens em cirros e nimbos –,

uma borboleta tremula meu espanto:

tu jamais pousarás numa flor.

Pelo golpe da linguagem, o edifício das pretensas grandezas humanas desmorona de pronto, desnudando os limites dessa percepção de mundo. Trata-se, pois, de um fazer poético que almeja aquilo que há de efetivamente poético e irredutível no humano. Por isso, em “Epifania”, essa voz poética clama ao leitor para que o examine por qualquer ângulo e lhe assegura: “ali estarei. Despido de toda ciência, sem técnica / ou muralha, entregue a ti feito poesia em febre”.

No conjunto dos poemas, esse chamado à interlocução também pode ser lido por outro – ou por múltiplos outros – viés, pois em seus momentos mais líricos esse eu-poético evoca repetidamente a figura de um amante. Ainda assim, não irrompem imagens idealizadas ou próximas de qualquer romantismo banal, uma vez que a contenção e a sobriedade estilística comandam essa poética, depurada e desbastada com mão firme. Em razão disso, o diálogo com o leitor se entrecruza com o chamado à pessoa amada, demarcando uma proximidade sempre distante, sempre intransponível. Desse ponto advém uma característica que atravessa o livro todo, uma espécie de desalentada expectativa, que confere ao texto alguns de seus mais belos voos líricos, como a imagem do “pampa semeado de distâncias / no vestíbulo dos teus olhos” ou o anseio de “Buscar o pulso de outro coração, / mas esbarrar no músculo / instalado no anônimo de si”. Afinal, o desejo desse eu-poético é simples, mas talvez irrealizável, visto que esbarra sempre no insondável desejo alheio: “só quero que nossos pés se abracem em compasso”.

Desnecessário dizer, não se trata de uma poesia de imagens feitas. “É um poema. O que quiseres ele será”, afirma o eu-poético. Clóvis Da Rolt, por sua vez, afirma-se novamente com uma poética refinada, não raro desconcertante, que explora as curvas do significante e descobre o que há por trás das palavras, na sombra, esperando enunciação. Tal gesto demanda, mais do que esmero e rigor no trato com a linguagem, uma crença profunda no potencial do leitor para agarrar-se à linha do indizível e nela descobrir o que há para além do limite da palavra.

André Tessaro Pelinser

Professor universitário (UFRN), pesquisador em literatura, escritor


*****


Instante místico

Na tarde exaurida,

grua de inércia,

o tédio invadindo foguetes elásticos,

aguardo caírem sobre minha vida

algumas gotas de suficiência lírica.

Alheia à pretensa superioridade

da analítica humana

- oficina de minúcias que

divide nuvens em cirros e nimbos -,

uma borboleta tremula meu espanto:

tu jamais pousarás numa flor.



Desapego

Na penitente noite liminar,

suspensa vogal em escorço,

vens estancar a torrente do medo

nas cinzas de uma catedral prolongada.

Outra vez reluto em abdicar do silêncio,

estão desculpadas as aves combalidas,

na raiz do verso o pavor corrompe fecundações.

Peço que as palavras-sesmarias 

usurpem inconclusivos féretros:

a vida declarou-se matadouro antigo.






Sentir é inominável - Lançamento em Bento Gonçalves-RS

O lançamento do livro Sentir é inominável ocorreu no no dia 03/05/25, em Bento Gonçalves-RS. O lugar escolhido foi o Cuca e Marmellata, no Vale dos Vinhedos. Um momento único para celebrar encontros, afetos e sensibilidades. 

              

              

               

                  

                 




quinta-feira, 20 de março de 2025

LANÇAMENTO: Sentir é inominável - notas desimportantes

 



Meu novo livro, Sentir é inominável - notas desimportantes, pode ser adquirido através da plataforma Clube de Autores (www.clubedeautores.com.br). Com este trabalho, completo dez títulos publicados ao longo de vinte anos de atuação na escrita poética, ensaística e acadêmica. 

*****


25/02/24

Mormaço. Janelas do coração abertas. Suco de pêssego. 

 

Os objetos mais caros

e valiosos nunca estão

facilmente acessíveis em

prateleiras e mostruários.

Com as pessoas é assim também.

Algumas delas, raras, exigem luvas

para serem tocadas.





sexta-feira, 21 de junho de 2024

Ensaio publicado

 


Lançado em junho de 2024, o livro "Joanim Pepperoni e a Terra da Cocanha" reúne textos que analisam a obra literária do escritor gaúcho Joanim Pepperoni. Faço parte desta obra com o ensaio "Sátira cultural, letras jocosas e peripécias bufoliterárias em Joanim Pepperoni, PhD". Organizado pelos professores Vitor Cei e André Pelinser, o livro foi publicado sob a chancela do Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal do Espírito Santo.

O livro pode ser baixado no seguinte link: 
https://letras.ufes.br/sites/letras.ufes.br/files/field/anexo/cei_pelinser._joanim_pepperoni_e_a_terra_da_cocanha.pdf


segunda-feira, 6 de novembro de 2023

Breviário de levitação - Lançamento em Bento Gonçalves-RS

 

Na noite do dia 1º/11/23, no Tubuna, em Bento Gonçalves-RS, aconteceu o lançamento do meu livro Breviário de levitação. Foi um momento muito significativo e uma oportunidade para reunir familiares, amigos, colegas e agentes da cultura. O clima não poderia estar melhor, com muito carinho propiciado pelos encontros humanos em torno da literatura e da poesia.











 

segunda-feira, 23 de outubro de 2023

Exposição IN-VISÍVEL, de Karem Poletto Jacobs

 A artista plástica Karem Poletto Jacobs retorna ao ciclo de exposições com sua nova mostra: IN-VISÍVEL. Tive o prazer de escrever o texto crítico da exposição, que está em cartaz no TUBUNA, em Bento Gonçalves/RS.


*****


O jogo entre a interioridade e a exterioridade é uma constante na história humana. Do relevo epidérmico do corpo à dinâmica de suas reações químicas – diálogo entre o visível e o invisível – há uma história a ser contada. Mais: há uma fonte de indagações sobre o enigma do homem.

Na exposição In-visível, Karem Jacobs aceita o desafio de perscrutar aspectos do jogo instigante entre o interno e o externo. Por esta via, a artista revigora seu trabalho em busca de novas visualidades, novos arranjos formais, novas texturas e composições. A atitude que marca as obras apresentadas é incisiva, perfurante, violadora. A minúcia, o mínimo e o recôndito protagonizam o gesto criativo da artista.

Se, outrora, o corpo humano aparecia em suas criações conservando uma estrutura figurativista, ainda que transfigurada pelo realismo orgânico próprio de sua linguagem, agora ele está presente como reminiscência, lembrança vaga. A corporalidade exterior de suas produções passadas dá lugar ao teatro fisiológico de células, tecidos, vísceras... É ainda o corpo, porém, agora, a busca da artista é por algo mais sutil e silencioso.

A curiosidade humana acerca do que está dentro – o interior das coisas, os espaços íntimos – movimenta profundas energias tanto físicas quanto psíquicas. Em seu livro A Terra e os Devaneios do Repouso, Bachelard investiga as imagens da intimidade mediante um empenho de grande beleza diante do “mistério encerrado no detalhe das coisas.” Estão ali intuições refinadas sobre a caverna, a casa, o ventre, a raiz... mundos impregnados de interioridade.

Na esteira das intuições do citado filósofo, Karem Jacobs lança-se no rio sanguíneo do corpo, faz sua peregrinação pela geografia das células, vaga pelo labirinto das vísceras. Atenta aos detalhes, aos ritos movediços da fisiologia humana, a artista vislumbra recomeços, reconexões, ressurgimentos. Não se trata de solipsismo, de um monólogo ou de um exercício pessoal. Definitivamente, é generosa a safra de obras desta artista que, ao olhar para dentro, nos convida à reflexão sobre as várias singularidades individuais, as quais só atingem seu sentido pleno quando projetadas na exuberância da espécie. 

Clóvis Da Rolt

Poeta e professor universitário


            





domingo, 22 de outubro de 2023

Lançamento em Arroio Grande/RS

Na noite de 19/10/23, na cidade de Arroio Grande/RS, ocorreu o lançamento do meu livro Breviário de Levitação. Foi um momento incrível, carregado de entusiasmo pela arte e pela literatura. O lançamento ocorreu no Centro de Cultura Basílio Conceição, onde estiveram presentes amigos, alunos, ex-alunos, professores e agentes da cultura. 






quarta-feira, 30 de agosto de 2023

LANÇAMENTO - BREVIÁRIO DE LEVITAÇÃO

 



Os textos que compõem este livro, cento e cinquenta ao todo, não são inéditos. Todos eles foram publicados ao longo de cento e cinquenta dias ininterruptos nos stories do meu perfil no Instagram. Este era o objetivo: primeiro publicá-los no perfil e depois reuni-los num livro. A meta foi cumprida.

Dada a natureza dos textos aqui reunidos, cabe ressaltar que não houve uma preocupação prévia quanto à unidade formal. A intenção era dar vazão às palavras conforme se apresentassem na sequência das postagens. Assim, o repertório ficou variado: aforismos, poemas, crônicas sucintas, meditações existenciais e reflexões filosóficas.

Há que se acrescentar que este livro marca um recomeço. É minha rematrícula na vida após um período de travessia por um deserto pessoal, em que percebi que escrever era sobreviver. Seguirei acreditando no poder da palavra, na sua infinita capacidade restauradora. O tempo agora é de levitar.


BREVIÁRIO DE LEVITAÇÃO - Seguido de 10 poemas enamorados 
Joinville: Clube de Autores, 2023, 178 p.

         Adquira seu exemplar no site do Clube de Autores 


*****


Estou de saída para uma peregrinação

rumo a mim mesmo.

Não sei quando volto.

Sairei em breve, sem mochila,

cajado, roteiro, mantimentos ou calçados especiais.

Não me hospedarei em nenhum lugar,

a caminhada será constante.

Irei fundo, nas crateras desabitadas,

nas fossas escuras,

nos desertos sanguíneos.

Não se trata de uma experiência mística,

nada que passe pelo sagrado.

Quero apenas descobrir em que ponto

da vida eu me deixei pelo caminho.

Vou em meu próprio resgate.  


*****

   Sexta-feira, onze de agosto

   de dois mil e vinte e três,

   meia-noite e quarenta e um.

   Silêncio em Andrômeda,

   um avião pousa em Tóquio,

   um ovo eclode na lua,

   um girassol brota no quarto

   do leitor de Victor Hugo.

   De repente um trovão,

   a auricular matrícula da chuva.

   E em meu peito, imóvel,

   uma borboleta vulcânica.



sábado, 25 de março de 2023


Meu livro de ensaios, Terra de exílio, ganhou uma bela resenha escrita por Janaína Campos Peres e Márcia Felismino Fusaro. A resenha foi publicada na edição nº 64 (2023) da Revista Eccos - Universidade Nove de Julho. Meu agradecimento às autoras pelo olhar sensível que lançaram sobre os textos reunidos no livro. 

A resenha pode ser conferida, na íntegra, no link: https://periodicos.uninove.br/eccos/article/view/22624

quinta-feira, 10 de novembro de 2022

Artigo publicado

 


Publicado em Novembro/22, o livro A construção da dimensão internacional da UNIPAMPA: estudos e casos de internacionalização reúne artigos de professores e pesquisadores sobre o tema da internacionalização da Universidade Federal do Pampa - UNIPAMPA. 

Participo deste trabalho com um artigo (em coautoria com Lorena Paola Pereira Silva) que analisa o ingresso de estudantes uruguaios fronteiriços na UNIPAMPA. 

FARIAS-MARQUES, Maria do Socorro de Almeida; MENDES, Fernanda Ziani. A construção da dimensão internacional da UNIPAMPA: estudos e casos de internacionalização. São Paulo: Pimenta Cultural, 2022.

DA ROLT, Clóvis; PEREIRA SILVA, Lorena Paola. Fronteira, integração e reconhecimento: reflexões sobre o ingresso de alunos uruguaios fronteiriços na Universidade Federal do Pampa.

O livro pode ser conferido, na íntegra, no link da editora Pimenta Cultural: 

https://doi.org/10.31560/pimentacultural/2022.94906


sábado, 23 de julho de 2022

Matéria no Jornal Semanário

 







Na edição de 23/07/22 do Jornal Semanário, de Bento Gonçalves, foi publicada uma matéria sobre o dia do escritor (25/07). Sou um dos autores entrevistados na referida publicação.
A matéria pode ser conferida, na íntegra, no seguinte link: 


segunda-feira, 4 de julho de 2022

Ensaio publicado

 


O livro Educação e Literatura: o diálogo necessário foi lançado em junho/2022. A obra foi organizada pelas professoras Ana Maria Haddad Baptista e María Ángeles Pérez López. Participo desta publicação com um ensaio sobre a leitura literária. 

BAPTISTA, Ana Maria Haddad; PÉREZ LÓPEZ, María Ángeles. Educação e Literatura: o diálogo necessário. Belo Horizonte: Tesseractum, 2022. 

O livro pode ser adquirido através do site da Amazon, no link:

www.amazon.com.br/Educação-Literatura-Maria-Haddad-Baptista-ebook/dp/B0B4F6TF98

segunda-feira, 7 de março de 2022

Matéria no Jornal Pioneiro de Caxias do Sul

 


Na edição do dia 02/03/22, o Jornal Pioneiro de Caxias do Sul destacou o lançamento do meu livro de ensaios Terra de exílio. A matéria, sensivelmente escrita pelo Andrei Andrade, reflete vários aspectos abordados no livro. 

O conteúdo pode ser conferido, na íntegra, no link a seguir: 

https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/cultura-e-lazer/noticia/2022/03/bento-goncalvense-clovis-da-rolt-lanca-livro-de-ensaios-terra-de-exilio-cl08fn8xu005m017csqtgjojs.html


terça-feira, 1 de fevereiro de 2022

Terra de exílio - Ensaios

 


Encontra-se disponível para aquisição o meu livro Terra de exílio. Os treze ensaios que compõem o livro abordam temáticas relacionadas às Humanidades: literatura, leitura, arte, filosofia e educação. 

1 - Notas sobre a sedução primeira: arte e literatura como formas de inoculação
2 - Leitura literária, a que se destina?
3 - Oscar Bertholdo: poesia como um sopro inaugural
4 - Um enxame de palavras no coração: Marco Lucchesi e a densidade humana da escrita
5 - O monge verde na procissão do bosque
6 - Sátira cultural, letras jocosas e peripécias bufoliterárias em Joanim Pepperoni, PhD
7 - Dos aprendizados no deserto: a experiência mística e as travessias da interioridade
8 - Corpo e escrita em O livro de cabeceira, de Peter Greenaway
9 - Com uma mirada sem corpo: notas sobre a memória em O cidadão ilustre
10 - Herdeiros de nós mesmos: educação e formação frente aos labirintos da tecnologia
11 - O conceito de “pessoa” e suas implicações éticas no personalismo de Emmanuel Mounier
12 - As evocações do inútil no ensino de arte
13 - Inger Enkvist: percursos de um pensamento

*****

As temáticas abordadas pelo autor não são necessariamente inéditas. Inédito é o olhar, ao mesmo tempo erudito e poético, que lança sobre elas, seja na leitura crítica de obras literárias, seja nas reflexões teóricas, seja nas incursões no universo da filosofia. 

Terra de exílio, por suas qualidades, impõe-se como leitura compulsória para quem deseja fruir uma linguagem ensaística e mergulhar numa abordagem inovadora sobre diversos temas bastante caros à área das Humanidades. 

João Claudio Arendt - Poeta e professor universitário


*****

O ensaio comporta uma dimensão em que muitos caminhos podem ser trilhados. E assim acontece nesta reunião de ensaios. Observe-se, como um dos exemplos possíveis, a posição de Clóvis Da Rolt diante da vida. Ou seja: "Porque só se é inteiro quando se aceita o risco permanente da desagregação". Justamente os ensaios do autor, a todo momento, saem fora das posições comuns e consolidadas. Aceitam riscos, desagregações e desafios.

Ana Maria Haddad Baptista - Professora universitária, pesquisadora, ensaísta

*****

O livro pode ser adquirido nos seguintes sites: Clube de Autores, Amazon, Estante Virtual, Americanas. Para adquirir diretamente com o autor, enviar e-mail para: cdarolt@hotmail.com


quinta-feira, 16 de dezembro de 2021

Ensaio publicado

 


Na edição nº 31 (volume 13, set./dez. 2021) da Revista Antares, editada pelo Programa de Pós-Graduação em Letras e Cultura da Universidade de Caxias do Sul, foi publicado um ensaio em que analiso alguns aspectos da produção literária do escritor Joanim Pepperoni, PhD. 

O texto Sátira cultural, letras jocosas e peripécias bufoliterárias em Joanim Pepperoni, PhD está disponível no link a seguir:

http://www.ucs.br/etc/revistas/index.php/antares/article/view/10298/4913

quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

Ensaio publicado

 



Na edição nº 107 da Revista Brasileira, editada pela Academia Brasileira de Letras, foi publicado um ensaio de minha autoria. Neste ensaio, teço algumas reflexões sobre a poesia de Oscar Bertholdo. 

O texto Oscar Bertholdo: poesia como um sopro inaugural, bem como o conteúdo da revista podem ser acessados no link a seguir: 

https://www.academia.org.br/publicacoes/revista-brasileira-no107


quinta-feira, 18 de novembro de 2021

Novo livro em preparação

 


Encontra-se em preparação meu livro de ensaios: Terra de exílio. O lançamento está previsto para janeiro de 2022. Os ensaios abordam temas como educação, arte, filosofia, literatura e cinema.

domingo, 14 de fevereiro de 2021

Publicação - Educação, Artes e Literatura: Reminiscências

 


      O livro Educação, Artes e Literatura: Reminiscências, lançado em fevereiro de 2021, reúne textos ensaísticos produzidos por autores que refletem sobre as reminiscências em suas interfaces com a educação, a arte e a literatura. 

Referência:

BAPTISTA, Ana Maria H. et al. (Orgs.) Educação, Artes e Literatura: Reminiscências. Belo Horizonte: Tesseractum, 2021. 

Capítulo publicado:

DA ROLT, Clóvis. Notas sobre a sedução primeira: arte e literatura como formas de inoculação.

sábado, 21 de novembro de 2020

Publicação - Memórias: da pluralidade metodológica

 



     Lançado recentemente, em novembro/2020, o livro Memórias: da pluralidade metodológica reúne ensaios de autores que refletem sobre o tema da memória em diferentes contextos: arte, cultura, pesquisa, ciência. Participo desta coletânea com um texto em que abordo o tema da memória no filme O cidadão ilustre.

REFERÊNCIA:

BAPTISTA, Ana Maria H.; MARTINS, Edson Soares. Memórias: da pluralidade metodológica. Belo Horizonte: Tesseractum, 2020.

DA ROLT, Clóvis. Com uma mirada sem corpo: notas sobre a memória em O cidadão ilustre.

O livro pode ser adquirido no site da Amazon, no link:

https://www.amazon.com.br/Mem%C3%B3rias-metodol%C3%B3gica-Maria-Haddad-Baptista-ebook/dp/B08QW382RH

sábado, 31 de outubro de 2020

Lançamento

 


Novo livro do poeta João Claudio Arendt, A Cinza Descerrada, está sendo lançado pela Editora Pedregulho. Tive o prazer de escrever o prefácio.

                                                 **********
A cinza descerrada apresenta a produção poética recente de João Claudio Arendt. Síntese de linguagem depurada e habilidade de contenção, os poemas reunidos neste livro confirmam o estilo singular de um autor que preza pela economia dos recursos expressivos em atenção ao essencial. O mínimo, o reduzido e o sutil – antíteses de nosso mundo afeito aos excessos e ao vozerio estrondoso – encontram aqui o seu lugar de timoneiros do fazer poético.

Movimento de Tai Chi. Audição aberta ao sussurro. Grão de sal na boca. Olho colado no buraco da fechadura. Cada poema aqui apresentado nos captura por seu sentido de concisão. Hino de singelezas, A cinza descerrada é o estalido perturbador que às vezes ouvimos ressoar pela casa durante a madrugada. É a matéria quase impalpável resultante das várias combustões a que submetemos a vida em seu destino de rupturas. Com sua poesia, Arendt nos mostra que é necessário muito pouco para deflagrar um espanto.

Na esteira de sua produção anterior, o poeta dá prosseguimento a uma dicção matizada por sua honestidade como autor. Não há aqui peripécias formais, maneirismos sazonais, nem os tendenciosos salamaleques tão presentes na produção poética atual – os quais lançam uma cortina de fumaça capaz de ocultar o que de fato importa na poesia. Os poemas de Arendt prescindem de agendas, pautas convenientes e panegíricos transitórios. Há aqui poesia que se instala lentamente. Ofício de cinzas a depositar e retirar camadas de sensibilidade. Tessitura fina de encantos e desencantos.

O conjunto de poemas de A cinza descerrada sustenta-se numa tônica contemplativa diante das urdiduras da temporalidade, das impotências humanas e da necessidade de assimilação de tudo aquilo que, em si mesmo, esconde um abismo. Contemplação que não é, de forma alguma, um gesto resignado. Mas um exercício de impregnação dialógica: dança de labaredas que incendeiam a linguagem em busca da poesia sob as cinzas resultantes. “Artifícios compensam / mas não revertem / o que em cada um de nós / o tempo deposita”, diz o poeta.

Ao longo da leitura dos poemas percebe-se uma tensão estabelecida entre o mundo natural e o mundo da cultura. Em alguns deles, à maneira dos haicais, o poeta nos apresenta fiapos de uma linguagem visivelmente impregnada pelas imagens da natureza, diante da qual o universo humano aparenta ser quase incômodo. “Vestir-se de amarelo / para fazer coro com os ipês”; “Fica em silêncio / e apenas escuta: / o canto das águas / a voz do vento / o rumor das aves”; “Como aves em face do abismo / as folhas não há quem ampare”, confidencia Arendt. O poeta percebe que tudo à sua volta constitui um ímpeto de comunicação, uma centelha prestes a fulgurar novos sentidos para a “fome de realidade” que é a poesia, segundo ensina Octavio Paz.

Partindo de uma atmosfera poética natural – sem, contudo, descartá-la –, a linguagem migra para a intimidade de lugares concretos, onde estão a casa, a rua e os objetos familiares. Esta inflexão toma a via do erotismo e da sedução diante da carga de conteúdos poéticos com que nos envolve o cotidiano. Tal qual as vozes de um madrigal discreto, estão ali a cozinha, o sofá, a panela, o filho, o sexo, o varal, as ceroulas. Assim, a cultura surge com sua carga desestabilizadora, situando o mundo humano num campo de disputas simbólicas.  

Em A cinza descerrada, vemos um autor maduro que reverencia a poesia em seu caráter de revelação, sem render-se ao proselitismo do mercado editorial e sua nefasta lógica on demand. A leitura dos poemas encaminhou-me para Juan Gelman e Giuseppe Ungaretti, o que não significa, de forma alguma, uma busca por filiações ou linhagens, mas apenas uma sensibilidade partilhada que se pode constatar. É um fato: os poetas de verdade não têm qualquer pudor em invadir e serem invadidos.

Os poemas aqui reunidos nasceram de um poeta que parece estar ciente de que, conforme alertou a escritora Nélida Piñon, “estamos sempre nos movendo sobre os escombros dos que nos antecederam.” De certo modo, as heranças poéticas funcionam como horizontes para uma produção que almeje o mínimo de rigor e qualidade. Tratando-se de poesia, quando se nega a tradição, o que sobra é geralmente o pedantismo da boa vontade, do solipsismo e do talento autoproclamado.

Temos aqui uma poesia que se aprofunda em seu próprio fazer; que atinge seu valor pela via de sua integridade. Os poetas, de acordo com Percy Shelley, “são os legisladores secretos da humanidade, os primeiros a captar as verdades indispensáveis.” Fiquemos atentos, portanto, ao alerta que nos dão os poemas de Arendt. E o façamos mediante a consciência de que fomos lançados num fosso relativista onde tudo pode ser nivelado. Assim como se faz com as cinzas, há que se revolver a poesia como quem busca resíduos. Em meio à matéria consumida, perscrutemos a forma sobrevivente.

Clóvis Da Rolt

  

sábado, 10 de outubro de 2020

Novo livro - Mínimo Fôlego

 


      Já se encontra à venda, no site do Clube de Autores, minha publicação mais recente. Mínimo Fôlego reúne poemas, aforismos e pensamentos.

     Disponível para aquisição em: https://clubedeautores.com.br/livro/minimo-folego

*****

Não é o que você faz, 
é o que diz.
Com palavras
rompem-se represas.

*****

O risco de estar
na pele do outro
é descobrir que nada mudou.

*****

Quebrar a pedra
em dezenas de lascas.
E ainda ter a pedra.

*****

Uma criança
que recebeu ajuda
para andar de bicicleta
jamais esquecerá
o valor da confiança.